Ontem minha amiga Flávia me deu algo que foi muito mais que um presente. Foi um “passado”. Explico. Ganhei um pin do Karatê Kid. Há coisa mais oitentista que pin e Karatê Kid? Na verdade há, mas bastou esse pequeno agrado para que eu logo depois me visse relembrando de vários clássicos da minha infância. A começar pelo próprio Karatê Kid. Daniel LaRusso... ♥ Eu tenho certeza que muitos meninos já tentaram fazer aquela posição que ele fazia na praia – e não conseguiam. Aliás, eu acho aquela cena muito bonita (ainda que alguns achem brega - bem como a música-tema, Glory of Love, de Peter Cetera & Chicago). E quanto às meninas, bom, só queríamos mesmo ver o rostinho lindo do Ralph Macchio. Até hoje ele conserva aquela cara adolescente.
Assim como Matthew Broderick, o Ferris Bueller, de Curtindo a vida adoidado – um filme que pode passar quantas vezes for, que eu dou um jeito de assistir. Acho que todo adolescente (especialmente os saudosistas) já quiseram ser um pouco Ferris: acordar um dia e perceber que a vida passa depressa demais e que, às vezes, é bom fugir da mesmice para saborear as coisas boas que ela tem pra oferecer. Qual aluno nunca quis fazer o diretor tirano da escola de bobo, pegar o carro do pai e sair pela cidade (se passando pelo Rei da Salsicha de Chicago) com os melhores amigos só para ter um dia memorável?
Também já tive vontade de morar em Astoria, a bucólica cidade onde viviam os Goonies. Apesar de ser um grupo meio estereotipado, eles eram, e são até hoje, a melhor turma dos filmes. Quem nunca teve um amigo sensível, tímido e introspectivo como o Mikey; um patife, debochado e divertido como o Bocão; o gordinho engraçado e gente boa como o Bolão; o japinha CDF como o Dado, ou o líder mais velho e sensato, como o Brandon? Cada vez que escuto Goonies are good enough (da Cindy Lauper) me dá um desejo doido de fazer parte daquele grupo, sair caçando tesouros, decifrando mapas, achar um navio pirata e até fugir de mafiosos italianos super burros.
Ou então viver aventuras mais ousadas como Marty McFly que ia e vinha do futuro dentro do DeLorean, do Doc Brown. Dizem que originalmente a máquina do tempo do filme seria uma geladeira, mas mudaram de ideia com medo de influenciar as crianças a se fecharem nelas depois. Bom, mas se as crianças não imitaram Marty entrando numa geladeira, certamente imitaram o Superman ao tentar voar. Pelo menos um primo meu fez isso de cima de uma antena. E uma das minhas memórias afetivas mais fortes que ainda tenho, são do Christopher Reeves e seus lindos olhos azuis - com certeza o mais belo Kal-El de todos os tempos.
Mas há quem tivesse passado pelas chatices adolescentes enfrentadas pelos membros do Clube dos Cinco: os também estereotipados John Bender, o bad boy; Claire Standish, a princesinha; Brian Johnson, o nerd; Andrew Clark, o atleta e Allyson Reinolds, a esquisita. A mensagem passada por John Hughes (o mestre do filmes teen 80's) era a de que você não tem obrigação nenhuma de se adequar ao sistema; seja fiel à sua essência.
E qual menina nunca se sentiu meio Andy Walsh, tímida, de personalidade e criativa, apaixonada pelo galãzinho do colégio, como Blane McDonough? E que tinha um amigo super parceiro, secretamente apaixonado por ela, como era "Duckie" Dale, em A garota de rosa shocking? Falando em colégio, havia ainda um professor muito charmoso que salvava as mais diversas relíquias usando apenas coragem, esperteza, cara de pau e um chicote. Henry Jones - o Indiana. Um dos meus sonhos de criança era ser arqueóloga por causa dele.
Esses filmes certamente hoje jamais prenderiam uma criança ou adolescente em frente à TV. Lhes pareceriam bobos, mal feitos, forçados. Outros tempos. Mas guardo cada um deles - e vários outros - com muito carinho na memória, pois foram eles os meus companheiros nos momentos de solidão. E são até hoje. São um refúgio; me dão algumas horas para que eu ignore a realidade e dialogue com um kriptoniano gato, um arqueólogo corajoso, um jovem karateca certinho, adolescentes problemáticos, crianças aventureiras e um cientista aloprado que viaja no tempo.
Certamente que esses não são filmes nada cabeça. Mas são filmes muito coração.
*** 01 de outubro de 2009 ***

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