sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

JINGLE BELL PRA VOCÊS


Presentes, correria, lojas cheias, trânsito ruim,  filas nos mercados, comidas caras, roupas novas, amigo-secreto, confraternizações, estoque de bebidas, falta de vagas nos estacionamentos, a média que se tem que fazer com certas pessoas, árvores, luzinhas, músicas (e a Simone nos perguntando “e o que você fez?”). Há vários Natais sinto que a alma da data vai se esvaindo, e aquele encanto que eu tinha quando criança, já era. 

Nessa semana foi divulgado um estudo, feito por pesquisadores da Universidade de Lund (Suécia) mostrando que há um aumento de 37% dos casos de ataques cardíacos nos dias finais do ano, tendo como pico  - entradas em hospitais -, as 22 horas da véspera de Natal. Além do excesso de alimentação que as festas proporcionam, há o acúmulo das mais variadas emoções: estresse, ansiedade, tristeza, luto, raiva. Os casos variam de acordo com o país e sua cultura, mas é fato que a época das festas de final de ano provocam e desarranjam nosso coração. Mas a culpa não é da data - muito menos de Jesus, o "aniversariante". É nossa mesmo. Sofremos por vontade própria por cedermos aos apelos do consumismo.

Quem corre, planeja, se estressa, se frustra, gasta uma grana danada com futilidades, somos nós. Como diria a minha avó Valentina: quem manda procurar sarna pra se coçar? Natal era para ser uma comemoração simples. Afinal, tudo começou num cenário paupérrimo: um estábulo (ou caverna), pastores, animais, manjedoura. Luxo zero. Sim, queremos receber o aniversariante da noite com a nossa melhor roupa, com mesa farta e enfeites bonitos. Mas isso não deve custar a nossa saúde. O que Ele quer de nós é que estejamos bem, conosco e com todos. 

Apesar do tom melancólico que a data me traz, através de textos como o de Mário Prata, tento ver a coisa toda com um certo humor: "Não gosto do Natal. Não chego a odiar, mas não gosto. Nunca gostei. Desde pequeno, no interior. Papai Noel sempre me assustou. Gostava de preparar a árvore com dias de antecedência, apesar de não concordar em colocar algodão para ‘simbolizar’ a neve”. Me incomoda um pouco esse toque exageradamente europeizado e americanizado que demos ao nosso Natal, como neve falsa e meia de lã na lareira. A árvore, por exemplo, surgiu antigamente entre os povos pagãos como uma forma de celebrar as colheitas, no hemisfério norte (daí que a árvore de Natal seria uma réplica dos pés de maçã, que proviam alimento ao povo). 

Gostava de imaginar os presentes. Aliás, não gosto nem de dar e nem de receber presentes em datas certas. O presente é bom quando você não espera. No aniversário, Natal, Dia da Criança, depois Dia dos Pais, acho um saco de Papai Noel. O presente, conforme a palavra em si se explica, é uma presença. Portanto, não pode ser datada. Não deve ser uma obrigatoriedade”. Como gastamos tempo e energia (e grana) providenciando presentes. Não deveríamos ser "obrigados" a isso. Mas, repito, a culpa é nossa. 

E as propagandas de Natal? (...) A publicidade brasileira é uma das melhores do mundo, perdendo talvez apenas para a inglesa. Mas, chega o Natal, baixa o ‘espírito natalino’ nos criadores das agências e dá no que dá. Eles não conseguem (há 1994 anos) fazer um único anúncio sequer decente nessa época. São constrangedores, amadores, dignos de um Papai Noel de mentirinha. Tem uns, mais ‘criativos’, que até neve têm, debaixo dos 40 graus de dezembro”. Mário Prata escreveu este texto em meados dos anos 90, mas continua super atual. 

Sem demagogia, mas que tal retomarmos o que realmente o Natal significa? Menos correria, menos gula, menos compras. Mais famílias unidas, mais presença, mais serenidade. E se tivermos que aturar certas coisas, então que levemos tudo com bom humor, com leveza, perdão, compreensão. Esse, acho, é um bom presente para o aniversariante da noite.

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