quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

MENTES QUE PENSARAM VERDE




Há uma frase, atribuída a Leonardo da Vinci que diz: “Haverá um tempo em que os seres humanos se contentarão com uma alimentação vegetariana e julgarão a matança de um animal inocente da mesma forma como hoje se julga o assassino de um homem”. Acredito que nos princípios do Renascimento, a expressão vegetarianismo ainda não existisse, mas certamente algo que exprimisse essa ideia de poupar os animais de uma morte desnecessária. Acredito que um pensamento permeado de justiça possa, sim, ter saído da cabeça de um dos homens mais intrigantes e criativos do mundo. 

Já disse várias vezes que vegetarianismo não determina o caráter de ninguém, mas ajuda muito a sabermos mais sobre uma pessoa. Não dizem que você é o que você come? Logo, crer que os animais tenham direito à vida tanto quanto nós, dá uma pista que diz muito sobre uma pessoa. Vegetarianos, mesmo no século 21, com as pessoas (ao menos, teoricamente) abrindo suas mentes, passam-se ainda por criaturas estranhas, com mania de “querer aparecer”, radicais e lançadoras de moda. Mas vamos ver que vegetarianismo não é “modinha”, pois até filósofos como Pitágoras já falavam sobre o assunto: “Enquanto o homem continuar a ser o destruidor dos seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor”. Hoje, matar para comer, para nós, homens modernos, é um “luxo” de mau gosto e o pensador, 500 anos antes de Cristo, já afirmava: “Que horror é meter entranhas em entranhas, engordar um corpo com outro corpo, viver da morte de seres vivos”, e ainda alegava que os animais, assim como nós, têm alma!

Em 1º de outubro celebrou-se o Dia Mundial do Vegetarianismo, (ok, hoje é 26, mas sempre é tempo de falar sobre o assunto), então eu, como militante – nada radical, totalmente de boas! – separei algumas frases de escritores, pensadores e líderes vegetarianos para que se perceba que dentro deste universo não há modismo ou “falta do que fazer”. Indico, portanto, a leitura destes gênios que, além de serem expoentes em suas áreas, carregaram consigo a benevolência para com os animais e o senso se justiça para com todas as criaturas. 

Da Vinci disse que um dia as pessoas se chocariam com a matança de animais da mesma forma como hoje (e em seu tempo) se chocam com o assassínio de seres humanos. E não há exagero nisso. Há tempos a escravidão era vista como uma atividade normal e lucrativa para a economia. Até um grupo de pessoas com almas diferenciadas se levantar e fazer perceber a crueldade de tal ato. Antes disso, mandar pessoas para a fogueira era um espetáculo corriqueiro. Agora mandam-se animais. Mulheres sábias eram condenadas como bruxas. Cristãos eram atirados nas arenas romanas. Judeus foram exterminados. E agora todas essas coisas nos causa mal estar por sabermos o quão cruel elas são. Isso se chama evolução! Perceber que algo não está certo, que ao invés de empregarmos a violência e de meter criaturas em cativeiros, podemos agir diferente pelo bem de todos. Aí reside a essência do vegetarianismo!

A piedade, o respeito e a empatia pelos animais e pelo planeta já eram pregados por Buda, que ainda nos recorda que os campos já nos dão tudo aquilo de que necessitamos: “Feliz seria a terra se todos os seres estivessem unidos pelos laços da benevolência e só se alimentassem de alimentos puros, sem derrame de sangue. Os dourados grãos que nascem para todos, dariam para alimentar a dar fartura ao mundo”. Sempre perguntam aos vegetarianos o que comemos, senão carne. Oras, tudo! Menos carne! Tudo o que a terra nos dá e que vem pelas mãos dos agricultores que nela tanto trabalham. Sêneca, em 60 depois de Cristo já afirmava que “os vegetais constituem alimentação suficiente para o estômago e, no entanto recheamo-lo de vidas valiosas”. 

Sim, para quem “pensa verde”, todas as vidas são valiosas, estejam elas nos campos, nos mares, nos rios, nas matas. Parecemos radicais ao botarmos no mesmo patamar a vida de uma pessoa e a de um animal, mas vida é vida! Encurta-la para preencher um prato não tem justificativa: “Eu sou a favor dos direitos dos animais bem como dos direitos humanos. Essa é a proposta de um ser humano integral”, disse o presidente abolicionista Abraham Lincoln. 

Se se respeita a existência de um, há que se respeitar a existência de outro, caso contrário, estamos agindo de modo egoísta, como afirmou Arthur Schopenhauer: “A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter, e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem”. O líder pacifista Gandhi sugeriu que “deveríamos ser capazes de recusar-nos a viver se o preço da vida é a tortura e seres sensíveis”, e Francisco de Assis não nos deixa esquecer que “todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem. Toda criatura em desgraça tem o mesmo direito a ser protegida”. 

Se as pessoas que veem nos vegetarianos um bando de hippies desocupados e dementes, não prestam atenção em nossos argumentos, então que parem um pouco e reflitam sobre o que legaram esses homens da História. Não existe coincidência. Tantas mentes brilhantes não podem estar erradas. 

- 25 de outubro de 2018 - 

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