quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

PROVA DE AMOR


"Quem trabalha de graça é relógio". Já ouvi muitas vezes essa frase, especialmente quando era criança. Lá nos anos 80 não se falava tanto em voluntariado como se fala hoje. Havia pessoas abnegadas que abriam mão de si para doar-se aos demais, só que agora, contando com mídias e com a velocidade das comunicações, a propaganda do voluntariado pode se espalhar mais depressa e atingir um número cada vez maior de pessoas. 

Antes falava-se que quem trabalhava de graça era o relógio, porque viemos de uma sociedade em que os mais "espertos" é que se dão bem, aqueles que sempre tiram um por fora, que sempre lucram a qualquer preço. Só que muitas das doenças do mundo vêm justamente dessa sanha em ter dinheiro, seja lá como for. Trabalho de graça é coisa de escravo... Ou otário. 

Essa gente que pensa assim ignora que há outras formas de pagamento, além do dinheiro. Quem é voluntário sabe muito bem. Encostar a cabeça no travesseiro a cada noite, sabendo que foram dedicadas algumas horas de seu dia a outra pessoa; levantar-se a cada manhã pensando no bem que ainda pode ser feito a quem necessita; ajudar a aliviar as dores físicas e espirituais de um irmão; recolher um animal abandonado... Quem investe tempo, energia e amor - seja lá em que causa for -, recebe de volta uma leveza na alma que grana nenhuma no mundo pode comprar. 

Também ainda criança ouvi uma música na igreja, da qual nunca mais me esqueci, e dizia: "Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão / Eis que eu vos dou o meu novo mandamento: amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado / Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão / Vós sereis os meus amigos se seguirdes meu preceito: amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado". Voluntariado é bem isso: amar o outro e doar-se pelo irmão. Essa é a grande prova de amor que Deus quer nos ver desempenhando. Nada de sacrifícios, de mortificações, de competir para ver quem reza mais... Basta doar-se. 

Visitar idosos, ler para crianças, resgatar animais, desenvolver projetos ambientais; arrecadar remédios, roupas, brinquedos, alimentos; alegrar enfermos nos hospitais, orientar jovens mães solteiras e carentes; ensinar música ou artesanato, ouvir pessoas deprimidas com tendências suicidas, ajudar a limpar praças, matas ou praias. Há tanta coisa a ser feita, há tantas mãos desocupadas, há tantas horas desperdiçadas. 

Ser voluntário independe de religião e costumes e não deve ser exercido só para "fazer bonito" nas redes sociais; quem se dispõe a ajudar, deve faze-lo de coração limpo, de mente aberta, sem queixumes. E com um sorriso no rosto, para que todos aqueles que precisam de um socorro, sintam-se acolhidos. Voluntariado de má vontade, é melhor que nem aconteça. Mas sorrir não é difícil, pois quem socorre a um irmão, sente o coração invadido por algo que lhe transforma o semblante. 

Neste último dia 5 de dezembro foi celebrado o Dia Internacional do Voluntário - data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1995. Mas antes mesmo que datas fossem estipuladas, já víamos gente batalhando desinteressadamente por outros. Em Garça mesmo, há pessoas iluminadas que levam sua luz por todos os cantos da cidade: voluntários do Lar Meimei, Roupeiro Santa Rita, Vicentinos, clubes de serviços, igrejas evangélicas, grupos religiosos afrobrasileiros, Ong S.O.S Totó, Ong EcoBrasil, centros espíritas e pessoas independentes de entidades, que batalham solitárias ou entre amigos por aquilo em que acreditam para tornar a cidade um lugar melhor. 

Pode parecer um gotinha no oceano, mas para quem recebe um socorro, um alimento, uma roupa, um aconselhamento, uma orientação, isso pode mudar os rumos de uma vida. O bem que se faz, bate no outro e volta. Quem diz que o governo é que tem que providenciar tudo e que "a culpa não é minha se existe tanta pobreza", deixa de sentir uma coisa que palavra nenhuma exprime: alma alegre, fé renovada, entusiasmo pela vida. Pobreza maior do que a que vemos pelas ruas, é a do caráter.
Abençoados sejam nossos voluntários, trabalhadores do bem que transformam o mundo. 

- 7 de dezembro de 2018 - 

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