terça-feira, 22 de janeiro de 2019

O NOME DESSA RELIGIÃO É AMOR


"Mas é por causa de alguma religião?". "É pela saúde, né?". "Você não se arrepende?". "Como você aguenta?". "Mas nem um bife de vez em quando?". "Nem peixe?". "Mas um dia você volta a comer?". Essas são apenas algumas das perguntas clássicas que todo vegetariano (ou vegano) escuta e tenta responder com a maior calma e gentileza. 
Adotar essa filosofia de vida, em um país como o Brasil, onde a cultura do churrasco impera, não é nada fácil. Não só por sermos, muitas vezes, alvos de zombaria, mas pelo mercado ainda não atender às nossas necessidades do modo como gostaríamos. Somos vistos como E.Ts, malucos, "modinhas", vítimas da influência de alguma religião estranha. 

E a nossa resposta é sempre a mesma: é por amor. Não comemos carne - seja ela de que for -, simplesmente por respeito e empatia. "Mas um a mais, um a menos, não faz diferença". "Mas já está morto mesmo". "Temos dentes caninos pra comer carne". Se esses discursos estivessem sendo feitos há alguns séculos, até faria sentido. Mas hoje, início de século 21, não tem desculpa que justifique o assassínio de seres inocentes e sencientes. 

E um a mais, faz diferença, sim. Para quem ama e vê em todas as criaturas os filhos de Deus, a diferença é grande. "Mas Deus fez os animais para nos servir". Esse é um dos "argumentos" que mais escuto. Mas aprendi, dentro da minha "religião estranha", que Deus não fez filhos para serem amados de forma diferente. Não criou uns para serem servos e outros para serem servidos, mas para cooperarem entre si - um dia a sociedade percebeu que a escravidão de outros seres humanos era vergonhosa. Um dia, o mundo se chocou com o holocausto de um povo. Tenho esperanças de, um dia, a humanidade perceber que tirar a vida de um animal também é algo de revirar o estômago. 

Não quero falar sobre dados, de quantos animais ou quantos litros de água um vegetariano - ou vegano - poupa a cada ano. Números e estatísticas tornam a coisa  meio fria, meio técnica. Nós falamos e praticamos o amor. Apenas isso. Amor pelos animais e amor pelo planeta. 

Se optarmos por não comer mais carne apenas por uma questão de saúde, estaremos nos cuidando, é verdade, mas com um "quê" de egoísmo: "Parei de comer carne por uma questão de saúde - a minha!". Mas estamos aqui para evoluir, então, esperemos. Ninguém é dono da verdade absoluta, mas através da linguagem do amor, não há palavra ou argumento que se sustente. 

Por que a vida de um cachorro tem que valer mais que a vida de um bezerro? Por que a vida de um gato tem que valer mais que a vida de um leitãozinho? Nós também temos nossas perguntas clássicas e nossos argumentos básicos. Por que comer uns e amar outros? Da mesma forma que estamos nos perguntando, nos últimos séculos, por que escravizar a uns e privilegiar a outros? Bem, Deus criou seus filhos dotados do poder de escolha. O mal está em nós, não no que Ele fez.

"Cadê Deus nessas horas?". Deus esteve presente em todos os eventos da História e em cada nanossegundo da criação deste e de outros planetas. Ele viu quando aprendemos a caminhar eretos, viu quando "domesticamos" o fogo, viu quando criamos as sociedades, viu quando inventamos o dinheiro, viu quando subjugamos nossos irmãos, viu os grandes impérios se formando e ruindo, viu as navegações e descobertas, viu a escravidão, o holocausto judeu, as ditaduras; continua vendo a fome e as doenças na África, as tragédias naturais na Ásia, os crimes de colarinho branco na América. Parece que Ele não está fazendo nada? Mas está. Está nos deixando aprender com nossas faltas, indiferença, ganância; está nos fazendo evoluir pela dor, está nos ensinando a sermos mais solidários e a enxergar no outro, um irmão de fato. 

Logo, se isso vem acontecendo - nessa transição de era -, nós, vegetarianos e veganos devemos ter paciência e esperar que um dia todos vejam nos animais, irmãos também. Isso não nos credencia a sermos "humanos melhores"; todos têm defeitos, mas estamos tentando deixar esse planeta um pouco mais habitável para as gerações que vêm por aí. 

Então, só respondendo às perguntas: não, não comemos carne por uma questão de saúde; não vamos voltar a comer qualquer dia desses, não sentimos falta, não nos arrependemos e a única religião que nos guiou por esse caminho foi unicamente o amor. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

TALVEZ O ÚLTIMO DESEJO

Último desejo. Tão difícil escolher um. Primeiro porque essa ideia nos remete à gente que está à beira da morte, ou no momento de um ...