sábado, 25 de maio de 2019

🐝 ELAS MORREM. EU MORRO. TODO MUNDO MORRE.


Quando pequena, era comum ainda ver alguma criança reclamando de picada de abelha. "Passa álcool que sara", diziam os adultos. Sadismos à parte, qual criança, até, pelo menos a década de 80, não foi picada por uma abelha? Assim como outros pequenos acidentes, isso fazia parte da infância. Mas hoje, cadê as abelhas?

Essa é a pergunta que vem sendo feita nos últimos anos e que agora, em 2019, ganhou ainda mais força. Milhares delas têm aparecido mortas e seu desaparecimento pode, sem exagero, comprometer até em 80% a nossa alimentação. 

No dia 20 de maio celebrou-se o Dia Mundial das Abelhas - a data foi proposta pela Eslovênia em homenagem ao pioneiro da apicultura moderna, Anton Janša, nascido neste dia, em 1734. A celebração foi instituída em 2017 pela Organização das Nações Unidas, tendo como motivo principal, alertar o mundo sobre os perigos decorrentes da morte destes animais. 

Aprendemos na escola que as abelhas são responsáveis pela polinização: voando de flor em flor, ela carrega consigo o pólen, que fecunda outras flores, e assim mantém em equilíbrio, não apenas o ecossistema, mas a nossa alimentação. Quem tem uma horta, sabe bem disso. 

Infelizmente esses bichinhos podem vir a faltar em breve, livres na natureza. Talvez só existam em criadouros. O que não será o bastante para dar conta de toda uma cadeia de flora - e, consequentemente, de fauna. Não é papo de ecochato alarmista, o desastre já está acontecendo: de dezembro de 2018 a fevereiro agora, mais de meio bilhão de abelhas morreram só nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e São Paulo, por conta do uso de agrotóxicos. Os produtos utilizados no Brasil são tão nocivos ao meio ambiente, que vários de seus componentes já foram abolidos na Europa, há décadas. 

E não adianta os mega agricultores dizerem que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Esse tipo de afirmação é típico de gente mal caráter, ambiciosa e egoísta, que pensa em curto prazo e está se lixando para como ficará o planeta nos próximos anos. Albert Einstein já havia feito a previsão de que as abelhas poderiam desaparecer da Terra e que depois disso, toda a vida animal e humana duraria, no máximo, quatro anos. 

E elas não tem sumido apenas daqui. Na Europa e Estados Unidos também há registros alarmantes; e de acordo com a FAO - Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, 75% de todo o cultivo destinado à alimentação humana, dependem das abelhas. Por isso elas vêm sendo vistas como uma das criaturas mais vitais do mundo. Uma pena a humanidade só perceber esse valor quando já é quase tarde demais. E assim vem sendo e será com outras espécies animais e vegetais. 

Pensar apenas na comida no prato de cada dia é ignorar toda uma cadeia que está por trás. O que podemos fazer, então, para, ao menos, amenizar um pouco essa tragédia anunciada? Boicotar produtores que utilizam à vontade todo tipo de veneno - há sites sobre ecologia e direitos dos animais que sempre divulgam esse assunto para consulta - e valorizar mais o pequeno produtor, as famílias que cultivam na zona rural de cada município. Elas trazem o alimento livre de venenos, tratados de modo orgânico e são uma fatia importante para a economia. 

Sou a favor de valorizar quem valoriza o meio ambiente; favorecer quem favorece a natureza. É bom pesquisar sempre as marcas que não utilizam substâncias de origem animal ou que não submeteram animais a testes. Já é um bom começo para educar a mente e o espírito para essa nova realidade em que teremos que parar com demagogias e falsa piedade, e agir realmente. O nosso modo de viver afeta diretamente todo o ecossistema. Nossa alimentação, nosso transporte, o consumo de produtos, o descarte de embalagens, a utilização da água: todos os nossos atos entram para essa imensa conta. 

Aos governantes - de grandes e pequenos municípios - vocês podem começar preservando e aumentando as áreas verdes e incentivando as escolas a educar os pequenos cidadãos para que respeitem o meio ambiente (cartazes e musiquinhas não resolvem o problema: o lance é dar um choque de realidade mesmo). Londres, por exemplo, está construindo 11 quilômetros de corredores de flores silvestres em 22 parques e áreas verdes, a fim de criar um ambiente ideal às atividades polinizadoras das abelhas. Na Europa, desde a Segunda Guerra, os ambientes silvestres vêm sendo ameaçados e as flores foram as primeiras a desaparecer - neste caso, a culpa não é unicamente dos agrotóxicos. 

Mas seja por qual motivo for, a responsabilidade é exclusivamente nossa. Alteração climática, desmatamento, poluição de oceanos e rios, contaminação do solo, péssima qualidade do ar, alimentos ricos em venenos, caça legalizada, falta de leis mais severas, conchavos para agradar à bancada ruralista, fiscais insuficientes, subornos e deboches. Tudo isso somado, só mostra a imbecilidade que ainda reina em nossa sociedade, em pleno 2019 - quando vemos que a profecia de Albert Einstein começa a se cumprir. 

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