quinta-feira, 23 de maio de 2019

OS NERDS E OS SERIADOS


O Dia do Orgulho Nerd tá aí e eu desenterrei um texto sobre uma das coisas que os nerds mais curtem: seriados. 

Antes mesmo de saber o que significava ser nerd, acho que sempre fui: óculos desde criança, a total falta de coordenação com os esportes e a timidez excessiva somavam-se às coleções de gibis, aos seriados e super-heróis. E uns 30 anos depois, essas coisas todas ainda me acompanham, com a diferença que hoje em dia ser chamado de nerd é quase como um elogio. Houve um tempo em quem ser nerd era sinônimo de passar cola, fazer a tarefa alheia, ser o preferido do professor, tomar sova na educação física, fazer parte de uma turma meio bizarra com quem ninguém queria andar no recreio. Agora somos tendência de moda, comportamento, consumo e até beleza! Parece que o jogo virou, não é mesmo? 

Mesmo sendo 100% Humanas, minhas séries favoritas sempre abordam conceitos ligados à física e astronomia: viagens no tempo, buracos de minhoca, universos paralelos, realidades alternativas. MacGyver era o terráqueo mais inteligente - e charmoso - dos anos 80; perito em química, salvava o dia sem apelar para armas. E Spock, o alienígena sex symbol - sendo metade vulcano, dominava a arte da fleuma. 

Apesar de parecerem apenas um produto, os seriados são "documentos" de várias épocas, e através de muitos deles podemos compreender o pensamento de uma geração ou os interesses de uma sociedade. Star Trek - a série original, dos anos 60 - abordou questões importantes ligadas à diversidade racial: querendo mostrar que seria, sim, possível, uma sociedade igual para todas as etnias, fizeram da tripulação da U.S.S Enterprise NCC 1701, um amálgama: americanos, europeus (com destaque para um irlandês, um escocês e um russo), negros, asiáticos e aliens, todos convivendo harmonicamente com suas funções e com um único objetivo. O famoso primeiro beijo interracial da TV norte-americana - entre o capitão Kirk e a tenente Uhura - é creditado à série e causou um furor à época. 

"No meu tempo", era preciso esperar uma semana inteira para saber o que aconteceria no próximo episódio - até parte dos anos 90 era assim: não tínhamos internet em casa, então as coisas eram mais devagar. Depois que inventaram os canais pagos, a venda de boxes completos, Youtube e Netflix, dá pra baixar uma temporada inteira e fazer uma maratona. Inúmeros. E que movimentam um mercado imenso de produtos - licenciados ou não. Sim, nerds gastam com os derivados de seriados e filmes como qualquer pessoa "normal" gastaria com comida, por exemplo. Por isso, merecemos, no mínimo, um dia só nosso!


O livro Loucuras dos seriados da TV - 287 histórias reais... e absurdas (de Manoel de Souza, pela Panda Books) me fez rememorar dezenas de seriados que me acompanharam na infância ou que, de certa forma, marcaram a minha década de 80: Esquadrão Classe A, Dallas, A gata e o rato, Super Vicky, Primos Cruzados, Anjos da Lei, A dama de ouro, Miami Vice, Magnum, O elo perdido, Terra de gigantes, A feiticeira, Jeannie é um gênio, Alf, Capitão Marvel (popularmente conhecido por Shazam!). Daí vieram Anos incríveis, As aventuras de Hércules, Xena - a princesa guerreira, Beverly Hills 90210, Dawson´s Creek, Gilmore Girls, Friends, Seinfeld, Blossom, Parker Lewis, Confissões de adolescente, Twin Peaks (e a pergunta que não calava: quem matou Laura Palmer?), Arquivo X, Lois & Clark - As novas aventuras do Superman, The Flash, Buffy, Angel.

Com uma linguagem ainda mais ágil (e polêmica) - e episódios cada vez mais caros - o longevo Doctor Who, a franquia C.S.I, Lost, 24 Horas, Friends, Grey´s Anatomy, Modern Family, Fresh Prince of Bel Air, The Office, Sherlock, Frasier, Doctor House, Fringe, Dexter, Supernatural, Smallville, A família Soprano, Mad Men, Two and a half man, The Big Bang Theory, Breaking Bad, The Walking Dead, Games of Thrones, Lúcifer, Stranger things, Arrow, Supergirl e o novo Flash. Os nerds mais velhos, com 50 anos ou mais, talvez não saibam do que se tratem esses nomes, mas certamente se lembram com carinho de Rin Tin Tin, Maverick, I love Lucy, Thunderbirds, Flash Gordon, A poderosa Ísis, Bonanza, Os pioneiros, A família Dó Ré Mi, Bat Masterson, Lassie, Perdidos no espaço, As panteras, Manimal, Columbo, Zorro, Chaparral, Havaí 5-0, O homem de 6 milhões de dólares, Batman. 

Não importa de qual geração falemos: todas tiveram seus seriados do coração e cada seriado guarda uma história - aquela que nós conhecemos e a outra, dos bastidores, da concepção, das ideias tomando forma, dos fracassos e sucessos. Acompanhamos os seriados e eles nos acompanham; marcam uma época, nos espelham certos personagens, nos tiram da realidade ou nos mergulham nela. Meros produtos, futilidades, ópio. Distração, calmante, companhia. Cada um encara de uma forma, mas é fato que nossa cultura já não vive mais sem seriados (e suas loucuras). 

Então, a todos eles e a nós, nerds: vida longa e próspera.

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