"Qualquer um que tenha a coragem de superar as limitações da mente, vai atingir o estado de Maternidade Universal. Isto é um amor e compaixão sentidos não só na direção da própria criança, mas também em todas as pessoas, animais, plantas, rochas e rios. E é um amor estendido a toda a natureza e a todos os seres em um, a quem o estado de verdadeira maternidade despertou. Todas as criaturas são seus filhos nesse despertar do amor. Esta maternidade é o Amor Divino. Isto é Deus".
Eu imagino que amor de mãe seja algo indefinível - só quem é, sente. E mesmo sentindo, não consegue explicar a magnitude. Mas talvez a palavra divinal sirva. Um amor que é plantado por Deus e cujas forças se assemelham.
A frase sobre a maternidade universal pertence à guru indiana Sri Amma. Nascida em 1954, na Vila Sangra, no Estado de Andhra Pradesh, Amma desde pequena externou grande amor e compaixão por todas as criaturas e sempre buscou um meio de explicar às pessoas um modo de resolver seus problemas através da espiritualidade; Amma sempre levou - e leva - um sorriso no rosto e diz-se que ela costuma aparecer em sonho ou durante as orações para algumas pessoas. Por isso é tida como a encarnação da Mãe Divina.
Apesar de sua aura de santidade (como denominariam os ocidentais), não é necessário possuir a envergadura de Sri Amma para ser uma mãe divina. Todas, ao seu modo, levam um pedaço da divindade dentro de si. É bem clichê dizer isso, mas quem tem e quem é mãe, conhece essa porção do amor de Deus. Seja mãe de sangue, mãe adotiva, uma tia, uma avó, uma irmã mais velha, uma madrinha, uma professora muito querida, uma amiga. Há tantas formas de se demonstrar mãe. Até mãe de bicho, conta - e eu me incluo nessa categoria. Tenho duas filhas de quatro patas que me mudaram por dentro.
Quando se aproxima essa data, a do Dia das Mães, a publicidade nos traz também diversos clichês, muitas vezes focando na dificuldade do filho em escolher um presente. O lado comercial do dia nos força a quebrar a cabeça, atrás de um mimo para elas. Mas já pararam para pensar no quanto elas quebram a cabeça, desde quando se souberam grávidas? Há quantas décadas? Filhos são meio egoístas - ainda que inconscientemente - e não sabem os apuros internos que cada mãe deve ter passado - tanto aquelas que se descobriram mães de surpresa ou aquelas que foram mães planejadas.
E mesmo com tantas coisas para pensar e providenciar; com tantas coisas para sentir e aprender; com tantos palpites da família e tantas dúvidas ou com tantos planos adiados ou sonhos cancelados, ainda assim, houve espaço e tempo para amar.
E é desse amor que Sri Amma nos fala e nos pede para que apliquemos em tudo no mundo. Se não temos força e nem capacidade para aplicar o próprio amor de Deus, então que saibamos aplicar o amor materno - e também divino - em nossas vidas e em tudo o que fazemos, pois não há amor mais dedicado que este.
Diz ela que "o amor tem muitas faces; ele se manifesta em momentos e formas diferentes. Em sua relação com o seu filho, o amor se manifesta como afeição. Permita-se ser afetado pelos medos, inseguranças e frustrações complexas do seu filho. Estenda a mão com compreensão. Em relação ao seu relacionamento conjugal, o amor é paixão e respeito; serem amigos e ficarem juntos até nos maus momentos. Para a família, o amor se manifesta como providência e doação. Transforma-se em sensibilidade e consciência das necessidades dos outros. No trabalho, o amor se manifesta como compromisso e paixão pela excelência. Por um amigo, amor significa um conselho correto em tempos difíceis e brincadeiras durante os tempos fáceis. Para a nação, o amor é a criação de riqueza através de integridade. Na vida, o amor vem através da coragem e aceitação. Derrube as paredes do medo e permita que cada experiência flua através de você; assim como as águas modelam as areias. A vida é completa somente quando você cultivar o amor em todas as suas formas".
Lógico que o amor sentido por um filho, não será sentido por um colega de trabalho. Mas é o exercício em si que podemos por em prática. A paciência, a compaixão, o aconselhamento, os ouvidos, o colo, o incentivo, a fidelidade e a doçura que estão sempre presentes no amor materno é que devemos espalhar pelo mundo.
Certamente que o planeta seria um lugar bem melhor se todos os vissem pelos olhos de uma mãe: com a sensibilidade de uma mãe do coração, com o entusiasmo de uma mãe-avó, com os cuidados de uma mãe de bicho, com a bravura de uma mãe leoa, com a proteção de uma mãe coruja, com o jogo de cintura de um pai-mãe.
Ser filho não é fácil; há sempre aquele choque de gerações, a discordância, a rebeldia injustificada. Mas mais difícil ainda é ser mãe: presenciar um filho que trilha um mau caminho ou até perde-lo; ter um filho numa cama de hospital ou num presídio; indignar-se quando o mundo acha que seu filho "não se encaixa" em certos padrões. Aguentar tanta coisa, tanto desaforo, tanto julgamento e ainda assim... Ter um estoque de amor.
Se prestarmos mais atenção nesse amor, nessa fatia de Deus em nosso dia a dia, e aprendermos a pratica-lo pelo mundo, talvez ainda haja uma saída para a humanidade inteira. Parece exagero de mãe, mas não é.

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